Mostrando postagens com marcador # Cine Trash. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador # Cine Trash. Mostrar todas as postagens

14 setembro 2011

Cine Trash #4: Robot Monster



Ressuscitando esta minha humilde coluna aqui no“A terça parte”. E um texto de retorno não merecia nada menos que um filme que é figura carimbada em qualquer lista de piores da história. Estou falando, de Robot Monster de 1953.

Pra começo de conversa, descobri o filme acessando alguns fóruns onde o tema era: “Os piores filmes de todos os tempos”. Esse filme era citado tão freqüentemente quanto pesos pesados como “Plano 9 do espaço sideral” (1959) e “Manos: Hands of fate” (1966) . Li algumas críticas do filme na internet, que também o execravam como o pior da história, ou pelo menos um dos piores. Chegaram a dizer ser pior que todos os filmes de Ed Wood juntos(!), o que é um feito e tanto, já que além do famoso “Plano 9”, o diretor lançou “clássicos” como: “A noiva do monstro” (1955) e “Glen ou Glenda” (1953), este ultimo eu considero ainda pior que “plano 9”. Sem contar que Robot Monster tem nota 2 no IMDB.

Fiquei extremamente entusiasmado com a possibilidade de encontrar um filme “a altura” das pérolas de Ed Wood, ou do meu trash favorito “Manos”. A sinopse é promissora: Ro-Man, um alienígena da Lua quer dominar a Terra para o imperador do Universo e para isso se utiliza de uma máquina superpoderosa capaz de enviar raios calcinadores a todas as cidades, aniquilando-as. Misteriosamente ele conserva apenas uma família de oito pessoas para estudo. Ao mesmo tempo renascem dinossauros e outros monstros pré-históricos, que se debatem violentamente em lutas mortais, tudo em meio a enormes cataclismos geológicos.

Vamos começar por alienígenas lunares, pode ser bem engraçado hoje em dia, mas eram até bem comuns no sci-fi pré 1969. Mas o que diabos são raios calcinadores? Ele destruiu todos os habitantes da terra, ai resolveu estudar uma família de 8 pessoas? Mas que diabos? Monstros pré-históricos renascendo em conjunto com uma invasão alienígena? Eu realmente preciso assistir a esse filme!

Ao final dos 65 minutos do filme um sentimento predominava em mim, decepção. O filme de maneira nenhuma pode ser considerado tão ruim quanto “Manos”, ou pior que a maioria das obras de Ed Wood. O filme é sim muito ruim, o conceito é ridículo, a fantasia do extraterrestre é indefensável, mas de maneira nenhuma ele deveria figurar entre os piores da história, que dirá como o pior.

Acredito que a maioria dos “críticos” que escreveram sobre o filme não o assistiu realmente, bem como aqueles que escreveram sua sinopse. O filme começa com uma seqüência de créditos iniciais (sério mesmo?), que apresenta George Nader interpretando Roy, a bonita Claudia Barret interpretando Alice, Selena Royale interpretando a mãe, John Mylong interpretando o professor, o insuportável Gregory Moffett interpretando o insuportavel garoto Johhny, e a garotinha Pamela Paulson interpretando Carla. George Barrow é apresentado como “Ro-Man: the monster”. Em meio a algumas informações sobre a equipe técnica, os créditos dedicam espaço a um agradecimento especial para N.A Fisher Chemical Products, por ceder a “Automatic Billion Bubble machine”. Por esses créditos iniciais já da pra ter uma idéia da profundidade dos personagens, dois dos protagonistas simplesmente não possuem nomes, e o nome mais longo é Johhny, com seis dígitos.
Após esse começo promissor, o filme mostra o garoto Johnny, que é o mais próximo de um protagonista no filme, brincando com um capacete que é uma máquina de fazer bolhas (dãã). Ele encontra a pequena Carla, e ambos andam até encontrar a dupla de “arqueólogos”, Roy e o “professor” (hahaha). Eles estão retirando alguns desenhos pré-históricos das paredes de uma caverna, para poder levá-los até um museu, pelo menos é assim que Roy resume o trabalho de um arqueólogo. É claro que o a dupla de arqueólogos não se importa que as crianças brinquem com eles enquanto eles trabalham, afinal, desenhos pré históricos são encontrados em qualquer caverna.

Nesta cena inicial já se percebe o amadorismo do elenco, não chega a ser tão ruim quanto o já um milhão de vezes citado “Manos”, mas as atuações são bem fraquinhas. Percebe-se também um interessante trabalho de fotografia, e um trabalho de câmera mediano, mas nada preguiçoso. O roteiro já se mostra horroroso e só piora no decorrer do filme.

Alice logo aparece para cortar o barato dos moleques, e os leva para um piquenique. Quando todos os participantes do piquenique vão tirar uma soneca, Johnny volta correndo para a caverna. Os arqueólogos não estão mais lá, e Johnny acaba tropeçando e batendo a cabeça. Luzes começam a piscar na tela (representando uma espécie de raio), e um raio de luz parece atingir a terra, um corte rápido e nos deparamos com uma dupla de “crocodilos pimpados” brigando em uma região montanhosa. Seguido de um rápido take em stop-motion de um conflito entre dois “Torossauros”

O garoto Johnny acorda, e agora na caverna há alguns “equipamentos”, como antenas, caixas de som e uma maquina de fazer bolhas (!), que futuramente se revelarão a “maquina energizadora”, maquina que da a Ro-Man a localização de qualquer ser humano vivo na terra. Não fica claro se esta é também a maquina responsável pelos raios calcinadores. Johnny se esconde na entrada da caverna ao ouvir alguns raios, é então que aparece o vilão do filme, o extraterrestre Ro-Man.

É praticamente impossível segurar o riso na primeira aparição de Ro-Man. O tal extraterrestre, não passa de um dublê trajando uma bagaceira fantasia de gorila(!) e usando um capacete com duas antenas(!!).

Ro-Man se comunica com seu superior, o grande guia de todos os “Ro-Man” (que é exatamente igual ao Ro-Man que está na terra). O grande guia revela que não foi encontrada vida em qualquer outro planeta, que a terra é o único inimigo. O Ro-Man terrestre reporta ao grande guia como fez para reduzir a população a +00 (que é o mesmo que zero para nós, estúpidos terráqueos). O grande guia informa que ele está errado, e que ainda existem 8 humanos vivos na terra, e manda que Ro-Man termine o serviço.

Johnny corre e encontra sua família, que são praticamente todos os sobreviventes na terra. O professor explica que construiu uma maquina que desvia os mortais raios de Ro-Man da sua casa, por isso ele ainda estão vivos. Mas como o garoto que estava desmaiado em frente a caverna de Ro Man não morreu? Como o extraterrestre ocupou a caverna sem notar o menino? Alguém realmente se importa?

A família passará o resto do filme tentando sobreviver a Ro-Man, que passará o resto do filme tentando capturá-los e matá-los. Eu não quero contar muito mais sobre o filme, para não tirar a vontade de alguém que queira assisti-lo, ou diminuir o “divertimento trash”.

O filme definitivamente não merece a fama de pior da história. É verdade que o filme é muito ruim, eu diria que é impossível contar o número de erros de continuidade e furos de roteiro, mas é um exagero defini-lo na alcunha de pior de todos os tempos. Eu mesmo já devo ter assistido a uns três filmes piores este ano.

Filmes como “Manos”, “Glen ou Glenda”, “Ratos: A noite do terror” (1984) e “Troll 2” (1990); não possuem qualquer qualidade assinalável, sendo indefensáveis, por isso podem ser considerados o pior da sétima arte. Diferente de “Robot Monster”, que possui um interessante trabalho de fotografia e uma trilha sonora excelente, sim, eu disse excelente. É uma bela trilha composta pelo gigante Elmer Bernstein, que coleciona nada menos que 11 indicações ao Oscar, além de já ter levado uma estatueta. Além do que, o final do filme justifica a maioria dos erros de continuidade ou a falta de lógica existente na maior parte da película (só vendo para entender do que estou falando).

Reafirmo, que muitos dos que criticam o filme, nem ao menos o assistiram direito. Li muitas resenhas que diziam que o extraterrestre não consegue matar os terráqueos remanescentes, pois se apaixona pela humanidade. Bem, isso não é verdade, o extraterrestre mata impiedosamente, a maioria dos sobreviventes, só reluta em matar Alice, pois nutre desejos sexuais pela moça. Li também que os dinossauros do filme são “fruto do pior stop-motion da história do cinema”. Falácia, as poucas cenas em stop-motion são até bem realizadas.
Muito do que se fala do filme na internet é mito. Li em algumas fontes que o filme havia sido um fiasco nos cinemas, que não teria arrecadado nem seu ínfimo custo, que muitos dos envolvidos entraram em depressão após as filmagens, alguns chegando a cometer suicídio. Na verdade o filme arrecadou 1 milhão de dólares, nada mal para um filme rodado em 4 dias com um custo de 16 mil dólares. E os envolvidos nas filmagens seguiram suas carreiras tranquilamente, fora do cinema ou não.

Não me entendam mal, o filme é horroroso. Os personagens são rasos como poças de água, além de tomarem atitudes completamente estúpidas e irracionais. Destaque para a cena do casamento entre Roy e Alice, essa sim deve figurar entre uma das piores cenas da história do cinema. E o que você acha de sair em lua de mel quando há um extraterrestre indestrutível ao seu encalço? Não parece uma má idéia para nenhum dos personagens de Robot Monster.

Recomendo Robot Monster pela experiência, e principalmente para encontrar alguém que partilhe da mesma opinião que eu sobre o filme, pois pra mim, ele não passa de uma grande decepção.

Titulo Original: Robot Monster
Ano de lançamento: 1953
Direção: Phil Tucker
Roteiro: Wyott Ordung
Produção: Three Dimension Pictures

Luiz Gustavo kiesow

07 março 2011

Cine Trash #3: Basket Case


Um filme de baixo orçamento original e divertido. Um ícone dos anos 80!


Quando terminei de assistir Basket Case fiquei um pouco confuso. Fiquei com a sensação de não ter gostado do filme, mas então por que não consegui desgrudar o olho da tela durante toda a produção? E por que fiquei com aquela sensação de “quero mais” ao final da película? Cheguei a conclusão que a única maneira de resolver meu impasse era assistir ao filme novamente.

Na segunda vez que assisti Basket Case, fiquei ainda mais cativado com a atuação carismática de Kevin Van Hentenryck, interpretando o misterioso jovem que veio do interior carregando uma cesta a tira colo e se hospedou em um hotel barato no centro de Nova York, despertando a curiosidade dos moradores. E com a exageradíssima performance de Terri Susan Smith, como a bonitinha secretária de um médico que acabaria por se tornar o par romântico do personagem principal.

Não pude deixar de me divertir com a feiosa Beverly Bonner, interpretando a prostituta Casey, nem com o resto do descompromissado elenco, que pareciam se divertir tanto quanto o humilde espectador que os apreciava. Mas o que faz o filme ficar cada vez melhor toda vez que o assisto (e já foram 3 vezes), é a paixão explicita que o diretor Frank Henenlotter atira na tela a cada frame de Basket Case.

O filme começa em uma pequena cidade do interior norte americano, onde o Médico Julios Lifflander é encurralado em sua casa por uma criatura que, inteligentemente, não é mostrada durante toda a cena. O médico tranca todas as portas e janelas e se arma com um revolver de pequeno calibre. Para o azar do doutor, a criatura corta a energia elétrica da residência, o doutor desesperado descarrega sua arma atirando “em nada”. A cena termina com um close no rosto de Lifflander sendo desfigurado pela monstruosa mão da misteriosa criatura.
O filme corta para o protagonista Duane Bradley (Kevin Van Hentenryck) chegando ao frenético centro Nova-iorquino. Em meio a propostas de drogas e prostitutas, o jovem encontra o pequeno Hotel Broslin. Todos no hotel ficam intrigados com o misterioso jovem que carrega um grosso maço de notas de alto valor, dinheiro esse que era o próprio orçamento do filme.

Duane chama ainda mais atenção por carregar um grande cesto a tira colo, quando questionado pelo gerente do hotel sobre o conteúdo do cesto, Duane diz se tratar de um cesto de roupas. Ao chegar ao seu quarto, Duane começa a conversar com a criatura escondida no interior do cesto, e logo em seguida, alimenta a tal criatura, revelando ao espectador que ha algo mais que roupas no interior do cesto.

A situação fica ainda mais misteriosa quando no meio da madrugada, Duane parece incomodado, pois a tal criatura “não para de falar” e não o deixa dormir. Mas a criatura não parece emitir nenhum som, levando o espectador a se perguntar se esta consegue se comunicar apenas com Duane, ou se o protagonista é algum tipo de louco esquizofrênico.

Na manhã seguinte, Duane sempre com o enorme cesto a tira colo, vai até o consultório do doutor Harold Needleman (Lloyd Pace), e na sala de espera conhece a recepcionista Sharon (Susan Smith), que ajuda o jovem a conseguir uma consulta sem hora marcada. No consultório do porcalhão doutor Needleman, Duane diz sentir dores no peito, e quando o doutor o manda tirar a camisa, o rapaz revela possuir uma enorme cicatriz no lado direito do tronco.
Na saída do consultório, Sharon se oferece para mostrar a cidade a Duane, este parece receoso em marcar um encontro próximo ao cesto, mas após se afastar um pouco do cesto pede o endereço de Sharon cochichando. Dr Needleman, muito abalado, entra em contato com uma sua velha conhecida doutora Judith Kutter (Diana Browne), falando do rapaz com a enorme cicatriz que esteve em seu consultório, mas Judith manda o parar de importuná-la.

Duane volta ao consultório do doutor após a saída de Sharon, ele solta a criatura que estava dentro de sua cesta do lado de fora do consultório, apesar de Sharon ter trancado a porta. Em uma cena em “primeira pessoa” vemos a mesma monstruosa mão que matou Lifflander no começo do filme tocando a maçaneta que dava acesso aos corredores do consultório de Needleman. O doutor ouve um estrondo e vai averiguar, descobrindo que a porta que dá acesso aos corredores fora derrubada.

Needleman corre para o interior de seu consultório e monta uma barricada na porta, mas o doutor não esperava que a criatura já estivesse dentro de seu consultório, e é nesta cena que somos apresentados ao monstrengo de borracha “Belial”, uma criatura difícil de descrever, mas que pode ser vista na imagem abaixo. O doutor é morto brutalmente pela criatura.
Conforme o filme avança, algumas conversas muito convenientes de Duane com Belial, e alguns Flashbacks ainda mais convenientes, revelam que Duane e Belial são irmãos siameses. Devido sua aparência monstruosa, Belial era visto apenas como uma deformidade em Duane, e nunca foi aceito pelo seu pai.

O pai dos irmãos Bradley (Richard Pierce), pediu para um grupo de médicos locais realizar uma cirurgia “por baixo dos panos”, para “livrar Duane de seu mal. Mesmo contra a vontade dos irmãos, os doutores Harol Needleman, Julios Lifflander e Judith Kutter, realizam a cirurgia de separação dos irmãos, acreditando que Belial teria morrido após a cirurgia.

Duane e Belial possuíam a capacidade de “falarem” por telepatia um com o outro, porém Duane perdeu essa capacidade após a cirurgia, se limitando apenas a escutar o irmão e tendo que se comunicar com o mesmo verbalmente. Assim, telepaticamente, Belial (que havia sido descartado em uma sacola de lixo!) chama Duane para resgatá-lo e ambos começam a traçar seu plano de vingança.
Procurando Criticas para o filme em sites especializados e fóruns, o que mais se vê são críticos se rasgando em elogios à produção, chegam ao ponto de dizer que os efeitos são ótimos e que o diretor Frank Henenlotter era um gênio que merecia ter tido chances de dirigir filmes maiores. Eu particularmente me pergunto o que esses “críticos” fumaram.

Analisando o filme profundamente, Basket case é horrível. A história é ridícula (apesar de original), o roteiro é fraco, os efeitos são toscos, e o elenco é um dos piores que eu já vi em toda a minha vida como cinéfilo. Mas o filme tem aquele “Q” de filme trash oitentista, e em Basket Case o “Q” tem que ser maiúsculo mesmo. O filme é extremamente divertido, e as exageradas atuações só contribuem para o clima de diversão. Mas considerar Henelotter um gênio é um tremendo exagero.

Quanto aos efeitos, o que há de tão maravilhoso no “bonecão de borracha” que representa Belial? Há também uma cena em que o “bonecão de borracha” dá lugar ao “bonecão de barro” para a execução de um “stop motion” horrível. Os efeitos não são “ótimos”, mesmo para a época, mas são simples e criativos e, de certa forma, cumprem o seu papel. No começo achei um erro o diretor mostrar o tosquíssimo Belial com tanta freqüência no filme, inclusive na já citada cena do stop motion. Mas agora percebo que a criatura rouba a cena toda vez que aparece e é metade da diversão do filme.
Adorei Kevin Van Hentenryck como protagonista, e Terri Susan Smith como seu par romântico. Não que ambos sejam bons atores, mas Kevin é muito carismático e Terri encanta com seu exagero. No mais, o elenco é recheado com as piores atuações imagináveis, o que em parte pode ser considerado culpa do diretor que não pareceu se importar com os erros mais primários de interpretação.
Apesar de todas as falhas, devo admitir que me tornei um fã de Basket Case. Tudo parece contribuir para a diversão. O diretor e o elenco parecem orgulhosos daquilo que fazem (por mais tosco que seja). Não é a toa que o filme é considerado por muitos “o rei do trash” e coleciona uma legião de fãs, desde os anos 80. O filme daria origem a duas continuações, “Basket Case 2” em 1990 e “Basket Case 3 – The Progeny” em 1992.
















Titulo Original: Basket Case
Ano de Lançamento: 1982
Direção: Frank Henenlotter
Roteiro: Frank Henenlotter
Produção: Basket Case Productions

Luiz Gustavo Kiesow

14 fevereiro 2011

Cine Trash #2: Killer Klowns From Outer Space


Eles são palhaços, eles são assassinos e eles são... do espaço sideral?


Qual a definição de trash? Quando ouço o termo a primeira coisa que me vem a cabeça são os filmes de Ed Wood e filmes como “Manos: The hands of fate”. Trabalhos extremamente mal realizados, dirigidos por cineastas cuja capacidade técnica beira ao ridículo. Mas e quando o trabalho é tecnicamente muito bem feito? Quando o filme é um “terror comédia” voluntário e faz de tudo para ser Trash? Esse é o caso de “Palhaços assassinos”, um filme que não se leva a sério que foi levado a sério por seus realizadores (Sic).

O filme começa mostrando a cidade de “crescent cove”, uma cidadezinha típica desse tipo de produção, onde adolescentes estão reunidos para namorar em seus carros no topo de uma colina. O casal de mocinhos é ai introduzido. Mike (Grant Kramer) e Debbie (Suzzane Snyder) vêem um “cometa” cair na floresta e Mike decide investigar. Apesar da relutância de Debbie, o casal adentra a floresta e encontra uma tenda de circo.

O jovem casal, levado pela curiosidade, entra na tenda e encontra por acaso alguns moradores da cidadezinha presos em casulos de algodão doce. Os jovens logo descobrem que a tenda na verdade se trata de uma nave espacial, tripulada por corpulentos palhaços mutantes, que pelo jeito só pararam na terra para um lanchinho. Os jovens conseguem escapar dos palhaços e de suas terríveis armas de pipoca, e agora devem alertar a cidade do perigo inusitado que a espreita.

O filme é muito divertido, as cenas são engraçadas e os efeitos especiais são satisfatórios. A história é fraquinha que dói, mas o roteiro é divertido e brinca com a maioria dos clichês do gênero, começando com a cidadezinha de interior, passando pelo policial cético e pelos vilões que tentam matar todo mundo, mas apenas capturam a mocinha. É normal que em “filmes B” as atuações fiquem muito aquém do esperado, mas até neste sentido o filme surpreende, com atuações convincentes ou no mínimo esforçadas.

O filme até tenta criar um clima de tensão na cena em que um dos palhaços tenta atrair uma menininha tímida para fora da lanchonete, enquanto a espera com uma grande marreta escondida. Mas passada esta cena o filme volta a ser uma história surrealmente divertida (se é que esta expressão existe).

O filme pode até não ser trash em sua concepção, mas um filme que conta a história de um grupo de palhaços assassinos mutantes invadindo uma pequena cidade, não pode ser classificado de outra forma. Além do mais, a película passou e reprisou no cine trash da bandeirantes, então é trash e ponto final.

Top situações esdrúxulas de “Palhaços assassinos”:

Alerta de spoilers: Só leia os próximos parágrafos se já tiver assistido ao filme.

  • Após seu cachorro sumir, o velho caipira que é o primeiro a encontrar o circo/nave, dá um soco na tenda do circo, por que diabos ele faz isso? Só para que saibamos que é feita de metal?
  • Quando o casal de mocinhos está no interior da espaço-nave, na sala onde os casulos de algodão doce são armazenados, Mike diz: “Isso deve ser uma fabrica de algodão doce. É aqui que eles penduram para secar antes de mandar o produto pra fora!” Quem já viu um algodão doce ser feito na vida, sabe que o que ele disse é uma grande bobagem!
  • Porque os palhaços notavam rapidamente aqueles que se aproximavam da nave exceto os dois heróis?
  • A cena mais divertida do filme é aquela em que os jovens escapam do interior da espaço-nave para a floresta, dois palhaços que os estão perseguindo fazem um cachorro de balões para rastreá-los. É muito engraçado ver os dois palhaços mutantes grandalhões saírem correndo com aqueles pés imensos fingindo estarem sendo guiados pelo farejador de balão.
  • Os palhaços não eram muito inteligentes e não trouxeram muitos meios de transporte para a terra. A maior parte deles teve que percorrer a pé as 5 milhas até Crescent cove, mas mesmo assim, eles percorreram muito rápido o trajeto, e chegaram lá praticamente junto com os heróis que saíram voando de carro.
  • Os palhaços têm em média 2 metros e meio e chamam atenção, mas saem de cara limpa pelas ruas da cidade, mas não pense que eles não se importam em serem descobertos, eles precisam ser muito criativos. Uma cena muito engraçada é aquela em que um dos palhaços imita a coreografia de um gorila mecânico que fica em frente a uma farmácia para que as jovens que estão entrando no estabelecimento não desconfiem de nada.
  • A cena em que um dos palhaços realiza um pequeno show com fantoches para atrair uma vítima é também muito divertida.
  • A cena em que um grupo de palhaços vai entregar uma pizza em uma residência e surpreendem os proprietários da casa quando um dos alienígenas sai de dentro de uma das caixas de pizzas para fazer uma nova vítima.
  • A clássica cena em que o pequeno palhaço da “bicicletinha” arranca a cabeça de um valentão com o soco, afugentando os demais valentões que estavam a sua volta.
  • Outra cena divertida é aquela em que a mocinha vai pular pela janela e têm quatro palhaços vestidos de bombeiro esperando com um trampolim.
  • Parece que ninguém possui parentes ou pessoas queridas na cidade, pois todos só se preocupam em salvar a Debby quando esta é capturada.
  • Os palhaços conseguem subir pulando em prédios, mas não conseguem subir na pequena plataforma em que os heróis sobem no final.
  • Uma cena ridícula é aquela quando Mike grita para Rich e Paul saírem do furgão que está prestes a ser destruído e esses se recusam a abandonar o mesmo, pois segundo eles: “O furgão é alugado”.
  • O policial Dave não errou um único tiro nos narizinhos dos palhaços mutantes, mas errou o narigão do palhaço gigante.
  • Por que diabos depois de o palhaço gigante ter sido destruído a nave explodiu? E por que o carro em que os mocinhos estavam não explodiu já que este estava dentro da nave? Seria o veículo dos palhaços feito de um material alienígena indestrutível? Então por que eles não fizeram a nave inteira deste material?
  • A explicação pelo qual os irmãos Terenzi ficaram vivos é muito idiota. “Estávamos no freezer junto com os sorvetes”. O maldito furgão explodiu com freezer e tudo!
  • No final das contas os palhaços mataram a cidade inteira menos os personagens principais, e eles não pareceram se preocupar muito com isso.















Titulo original: Killer Klowns From Outer Space
Ano de lançamento: 1988
País: EUA
Direção: Stephen Chiodo
Roteiro: Charles Chiodo, Edward Chiodo
Produção: Chiodo Brothers Production


Luiz Gustavo Kiesow

02 fevereiro 2011

Cine Trash #1: Manos: The Hands of Fate


Sou fã de cinema trash. Na verdade sou mais que fã, para mim é tão prazeroso assistir à um clássico de Hitchcock quanto à um (por que não) clássico de Ed. Wood. O cinema trash é divertido, descompromissado, sincero e na maioria das vezes resultado do esforço mutuo de artistas que não possuem a devida infra-estrutura para a realização de uma obra cinematográfica.
Começo hoje uma série de postagens sobre este gênero de cinema, o nome para esta coluna “Cine Trash” é uma singela homenagem ao programa de mesmo nome apresentado na Bandeirantes por José Mojica Marins nos anos 90. Creio que foi este programa que despertou em mim o amor pela sétima arte.

Para diretores criativos e talentosos, a falta de recursos não é um obstáculo tão grande a ser superado. É o caso de diretores como David Lynch e seu “Eraserhead” que custou a bagatela de 20 mil dólares, ou de Robert Rodriguez com seu divertidíssimo “El Mariachi”, que custou (pasmem) 7 mil dólares. Mas e quando alguém sem qualquer conhecimento técnico e experiência cinematográfica tenta gravar um grande filme com poucos recursos, pois este é o caso do filme que estréia a nossa coluna semanal, este filme é “Manos: Hands of fate” (Mãos: Mãos do destino!?), filme este que posso afirmar sem sombra de duvidas que é a coisa mais grotesca e amadora já lançada no cinema mundial, e também uma das mais divertidas.

Na verdade é um prazer escrever sobre esta maravilha cinematográfica, fico excitado só em saber que terei de assistir ao filme novamente, 74 minutos de pura diversão!

O inicio:

Hal Warren, um vendedor de fertilizante da cidade de El Passo (Texas), decidiu que seria capaz de dirigir um filme de baixo orçamento que revolucionaria o cinema de terror da época. O bem sucedido roteirista Stirling Silliphant, sabendo que a experiência de Warren se resumia a uma figuração em um seriado de TV, apostou que o vendedor de esterco não conseguiria produzir um filme bem sucedido. Warren comprou a aposta, aposta esta que futuramente daria a origem a Manos, uma obra prima do cinema Trash.

Produção:

Hal Warren conseguiu juntar 19 mil dólares, dinheiro esse que não era o suficiente para pagar por um elenco profissional ou equipamento de qualidade, mas não seria este pequeno infortúnio que faria o nosso diretor desistir. Warren contratou alguns atores de uma companhia de teatro de El Passo (que não possuíam qualquer experiência cinematográfica) e um punhado de mulheres de uma agencia de modelos, prometendo parte dos lucros da produção como pagamento.

Para a filmagem, Warren utilizaria uma única câmera Bell e Howard de 16mm, câmera essa que conseguia filmar apenas 32 segundos consecutivamente, o que exigiria uma grande quantidade de cortes em cada cena, mas como poderia isso representar um problema para o nosso genial diretor/roteirista/editor? Ah... E a mesma Bell e Howard também era incapaz de captar áudio, o que não seria nenhum problema já que os atores poderiam dublar o filme posteriormente, melhor ainda, apenas três pessoas dublariam todos os personagens do filme, entre eles é claro o nosso genial Vendedor de esterco/roteirista/diretor/editor/ator/dublador Harold P Warren.

O filme:
O filme começa mostrando uma família em férias, o pai Michael (interpretado pelo próprio Warren) a mãe Margaret (Diane Mahree) a filha Debbie (Jackey Neyman) e o cachorro da menina “Peppy” (o melhor ator do filme!).

Já nesta cena inicial é possível para o espectador perceber o que vem por ai, enquadramentos sem qualquer sentido, um imenso “espaço” entre os diálogos, e as atuações esdrúxulas já estão presentes somente no pequeno take em que a família está parada com o carro no meio de uma estrada texana.

O take inicial é seguido por uma gigantesca cena com a família “passeando” com o carro. Leia-se por gigantesca uma cena de quase 4 minutos onde NADA acontece. Dizem que a intenção do diretor era introduzir os créditos iniciais nesta cena, mas por algum motivo desconhecido Warren não o fez, fazendo com que uma cena se estendesse demais sem qualquer propósito, ao melhor estilo Glauber Rocha de fazer cinema (mereço um tiro pela comparação, eu sei). Destaque também para a trilha sonora que é o plano de fundo dos inexistentes créditos iniciais, uma música insuportavelmente insossa que se repete durante toda a película.

Em meio a estas cenas, aparece pela primeira vez o casal de namorados (Bernie Rosenblum e Joyce Molleur), que protagoniza uma trama “paralela” que não se encaixa de maneira nenhuma no enredo do filme. A verdade é que Warren havia contratado Joyce Molleur para o papel de Margaret, mas a atriz quebrou a perna antes da filmagem, então para não desperdiçar a atriz, nosso diretor inventou a trama do casal de namorados que passam o filme INTEIRO bebendo e se beijando dentro de um carro e de vez em quando são repreendidos por uma dupla de policiais locais.

Os mesmos policiais em dado momento param a família de Michael, onde temos uma das cenas mais divertidas do filme onde o policial (dublado por Warren) e Michael (também dublado por Warren) conversam algum tempo, uma cena onde basicamente ouvimos Warren falar com ele mesmo sem fazer qualquer esforço para mudar o tom de voz, simplesmente hilário!

A família finalmente encontra, parado em frente a uma casa, o esdrúxulo Torgo (John Reynolds), um homem com pernas tortas (que eram para parecerem pernas de bodes) e juntas volumosas, sem qualquer coordenação motora e cheio de problemas de fala e tiques nervosos. Torgo recebe o casal com a clássica fala: “I am Torgo. I take care of the place while the master is away” (Eu sou Torgo, eu cuido do lugar quando o mestre está fora).
Michael, que fala sempre em um tom muito mal educado, pergunta a Torgo sobre uma saída, este revela que “não há saída daquele lugar”. Michael pergunta se poderiam então passar a noite ali, Torgo diz que não, pois “o mestre não aprovaria”, mas o sensato pai de família insiste incansavelmente em permanecer no local e ainda obriga o pobre Torgo a carregar suas malas para dentro da casa, quando este cede. Dentro da casa a família se impressiona com uma “horripilante” pintura que retrata o Mestre (Tom Neyman) e seu dobermann negro de olhos penetrantes (sarcasmo).

O casal está tão distraído com o quadro que nem percebe quando Peppy sai da casa seguindo alguns estranhos uivos que vêm do lado de fora, o cãozinho começa a latir e para subitamente, Michael sai a sua procura e descobre que Peppy está morto, provavelmente vitima do sinistro dobermann do mestre.
Em função do acontecido, o casal consente que a atitude mais segura é deixar o local(nãããão?), Michael então obriga o pobre Torgo a levar as malas de volta para o carro.

O carro insiste em não funcionar e Michael tenta conserta-lo, deixando sua sobressaltada esposa sozinha com Torgo dentro da casa. Não demora para Torgo “corteja-la”, dizendo que não era justo o mestre querer Margaret, pois ele já tinha muitas esposas. Margaret assustada começa a implorar por socorro, naquela que deve ser uma das piores atuações da história, mas Michael não pode escutá-la. Torgo promete deixar Margaret em paz e ela promete não contar o ocorrido a Michael.

De volta a casa, Michael explica que o carro não funciona, sem ter como chamar por ajuda, a família decide ficar. O pobre Torgo é obrigado a carregar as malas de volta para a casa. O casal novamente volta a analisar o quadro e ficam tão distraídos que Debby foge da casa. Michael chama Torgo, e o obriga a procurar pela menina. Eles levam meia hora procurando em uma casa que consiste de uma sala, uma cozinha e um quarto.
Depois de tanto procurar, eles chegam a brilhante conclusão que ela deve ter saído.
O casal encontra Debby do lado de fora da casa, a menina tem ao seu lado o mesmo sinistro dobermann retratado na pintura do interior da casa. O cachorro foge e a menina se abraça em seus pais chorando, eles perguntam onde Debby encontrou o cão e pedem para ela leva-los até lá.
Enquanto isso, Torgo é visto no interior de uma Tumba onde um homem e algumas mulheres parecem dormir em uma espécie de transe. Torgo começa a xingar seu mestre, dizendo que ele não precisa de tantas esposas. O caseiro começa a Bolinar uma das esposas do mestre, não fazendo nada demais é claro. Depois de satisfeito, Torgo retorna a casa para dormir.

A família encontra a tumba e foge desesperada, esta cena dura uns 2 segundos se o espectador piscar perde. Michael resolve ir atrás de Torgo para questionar sobre a tumba. Margaret fica em um dos quartos da casa à pedido de seu marido, enquanto ele mesmo vai procurar Torgo para pedir explicações. Ele é atacado pelo descoordenado caseiro que o nocauteia, e o amarra em uma arvore.
Na tumba, o mestre desperta e inicia o ritual de adoração à manos, que parece ser uma espécie de divindade para ele, se inicia também o processo do despertar das esposas. Se em algum momento existiu uma tentativa de construir um clima de tensão no interior da tumba, este clima é completamente destruído quando as esposas do mestre são mostradas em uma roda discutindo o que fazer com os recém chegados. Elas ficam literalmente gritando e fofocando. A aura de poder e mistério construída ao redor do mestre também é destruída, afinal não só Torgo, como também algumas mulheres começam a desobedecer suas ordens quando ele ordena a execução da família. O conflito de opiniões entre as mulheres acarreta em uma briga ridícula² e gigantesca³.
O mestre agora irá tirar satisfações com Torgo, Michael acordará e sairá a procura de sua esposa e filha, e uma das esposas do mestre lutará, literalmente, para salvar pelo menos a criança. Irá o mestre perdoar Torgo? Conseguirá Michael escapar com sua família? Conseguirá você passar 5 minutos sem cair na gargalhada? A resposta você só terá se assistir Manos: The Hands of Fate.

Caindo no ostracismo:

O filme foi lançando em novembro de 1966 em El Passo. Devido a divulgação, o filme atraiu o interesse da mídia e de cidadãos da alta classe texana. Warren alugou uma única limusine para levar todo o elenco a estréia, a limusine levou um grupo, deu a volta no quarteirão e apanhou outro grupo. Bernie Rosenblum conta no documentário “Hotel Torgo” que não demorou para as pessoas começarem a rir e tirar sarro do filme, fazendo com que o elenco saísse de fininho. O filme foi um fracasso, e como os atores seriam pagos com parte dos lucros da bilheteria, todos saíram de mãos abanando.
Após o fracasso de Manos Warren voltou a vender esterco e tentou arrecadar fundos para uma continuação que se chamaria “Wild desert Bikers”, mas infelizmente, com ênfase no infelizmente, ninguém se arriscou a financiar a produção.

Mistery Science Theater 3000:

Segundo a wikipédia, Mystery Science Theater 3000, geralmente abreviado como MST3K, é uma série de televisão cult de comédia criada por Joel Hogson, que mostra um homem e dois robôs presos em um satélite no espaço que são forçados a assistir filmes ruins.
Manos foi apresentado no ultimo episódio da quarta temporada, trazendo o filme aos olhos do grande público concedendo-lhe o status de “cult”.
Opinião:

Como já disse, adoro assistir “Manos”, acho o filme divertidíssimo. É impressionante que com tantas pessoas levando o projeto a sério o filme tenha ficado tão tosco, é uma das maiores demonstrações de incompetência coletiva da história. É inevitável atribuir parte da culpa à falta de infra-estrutura, mas os grandes problemas da produção decorrem da incompetência, falta de imaginação e conhecimento técnico de seus realizadores. Se alguém tivesse se arriscado a financiar Wild Desert Bikers, posso afirmar sem medo que Warren seria considerado o pior cineasta de todos os tempos.

Se você não é muito fã de cinema Trash passe longe! Mas se este não for o caso, convide alguns amigos, consiga um estoque de cerveja e salgadinhos, e aproveite esta hilária bagaça. Só não continuei com minha descrição do filme até o final para incitar o leitor a assistir ao filme e tirar suas próprias conclusões.
Ps: Prometo uma futura “parte 2” com a minha lista de “melhores piores cenas de Manos” e farei o possível para encontrar legendas para o episódio do “Mistery Science Theater 3000”.

Titulo original: Manos: The Hands os Fate


Ano de lançamento: 1966
País: EUA
Direção: Harold P. Warren
Roteiro: Harold P. Warren
Produção: Harold P. Warren


Luiz Gustavo Kiesow