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11 janeiro 2012

Slasherhouse #2: Massacre da Serra Elétrica parte 2 (1986)



Imagine-se como um fã de terror em 1986. Obviamente você aprecia o clássico “O massacre da serra elétrica” de 1974 e fica maravilhado ao saber que será lançada uma sequência dirigida por Tobe Hooper, o mesmo diretor do original. Hooper teve 12 anos para pensar em uma continuação para a sua obra prima, você mesmo já imaginou várias idéias para continuações.

Como poderia dar errado? Hooper criou um clássico com a pífia quantia de 83 mil dólares, e teria para este segundo filme quase 5 milhões a sua disposição. A maquiagem seria assinada por ninguém menos que Tom Savini, e o excelente Dennis Hooper encabeçaria o elenco.

Que idéias doentias terão passado pela cabeça de Hooper? Quem serão as pobres vítimas da fúria de Leatherface e de seus implacáveis familiares? Como será que os acontecimentos do primeiro filme afetaram a família de canibais? A tensão é imensa, as perguntas estão para serem respondidas e o filme está para começar.

A história começa com um letreiro explicando os acontecimentos do filme anterior, e informando que apesar dos relatos da única sobrevivente, nunca foram encontradas evidencias que pudessem provar sequer a existência de Leatherface e de seus parentes canibais. Este início é empolgante, pois o diretor está repetindo a formula do original começando o filme com um texto explicativo.

Na cena seguinte, somos brindados com as aparições de Buzz e Rick, dois imbecis que ficam atirando para todo lado. Ambos ligam para Stretch, a jovem apresentadora do programa de rádio “K-OKLA rock ‘n roll de Red River”, bem auto-explicativo. Os idiotas só ficam gritando bobagens ao telefone, enquanto continuam atirando em placas e tirando outros carros da estrada. Stretch pede desesperadamente para que eles desliguem o telefone, pois eles estão ocupando a linha e aparentemente se a rádio desligar a linha continuará ocupada (!).

Já é noite, e Buzz e Rick continuam ligando e ocupando a linha, até que encontram uma grande camionete que cruza seu caminho. Os jovens aceleram, mas o veículo segue acompanhando eles de ré, mantendo exatamente a mesma velocidade (!!). Eis que sai de dentro da camionete uma figura vestindo o que parece ser uma carcaça humana, e começa a se equilibrar para atacar o carro dos rapazes com uma serra elétrica. Quando os jovens tentam atirar na estranha figura, a carcaça cai e revela que o homem é Leatherface, que agora parece ter se cansado de usar pele humana apenas no rosto, deveríamos chamá-lo de Leatherbody a partir de agora? Os jovens são assassinados, e Stretch acaba gravando tudo.


Façamos uma pausa na resenha para comentar esta primeira cena. Não se passaram 10 minutos de filme e qualquer esperança de ver uma história séria, que pelo menos respeite o primeiro filme, já foi para o espaço. Buzz e Rick são dois dos personagens mais imbecis já vistos na história do cinema, Rick, com seus óculos coloridos e sua risada irritante, incomoda de maneira inacreditável. E nenhum sentimento além de alivio vem com a morte de ambos os personagens. O clima oitentista é tão forte que chega a causar náuseas. Roupas, gírias, músicas, tudo é datado.

O tenente ‘Lefty’ Enright (Dennis Hopper) teve seu irmão assassinado por alguém com uma serra elétrica há 14 anos, ele acredita que os jovens podem ter sido vítimas do mesmo assassino e convence o chefe de policia a colocar a noticia do suposto acidente no jornal, para que eventuais testemunhas apareçam. Stretch vai até a casa de Lefty com a gravação da morte dos jovens, mas Lefty parece ter mudado de idéia quanto a buscar testemunhas e evidências, e simplesmente dispensa a garota, dizendo para ela não se meter em seu caminho.

Mas o tenente parece ser um homem bem indeciso, pois após comprar algumas serras elétricas (em uma cena ridícula de dar dó), resolve pedir para a DJ tocar a fita do assassinato dos rapazes em seu programa, com o intuito de atrair os responsáveis. Stretch obedece ao tenente e acaba atraindo a fúria do trio de canibais: Leatherface (desta vez interpretado por Bill Johnson), o pai e cozinheiro da família Drayton Sawyer (Jim Siedow, repetindo seu papel) e o mais caricato de todos Chop Top Sawyer (Bill Moseley, ridículo).


E com muitas piadas e pouca história o filme se arrasta até o previsível final, o espectador fica com cara de tacho, não conseguindo acreditar que aquilo é uma sequência do assustador clássico de 1974, e pior, que foi dirigida pelo mesmíssimo cineasta, Tobe Hooper. O que terá acontecido com Hooper nesses 12 anos para realizar tamanha porcaria?

O diretor respondeu essa pergunta, disse que o primeiro Massacre da serra elétrica já era uma comédia de humor negro, mas ninguém havia entendido. “Tudo o que eu fiz foi deixar mais explícito neste segundo filme”, explicou o diretor. Isso só pode ser uma mentira descarada, não há espaço para humor no primeiro filme, é tenso e aterrorizante do inicio ao fim. Se serrar um cadeirante ou servir carne humana em um jantar é engraçado para Tobe Hooper, certamente o diretor tem um senso de humor doentio.

A verdade é que o filme foi produzido no auge do terror/comédia. “A hora do pesadelo” de Wes Craven era um sucesso recente, e não se sabe se foi realmente idéia do diretor, ou se foram os produtores que obrigaram Hooper a transformar sua franquia em uma baboseira.

Esta sequência até coleciona um grande número de fãs, que o encaram como um trash divertido. O filme até poderia ser levado na brincadeira se não existisse o primeiro “massacre da serra elétrica”. Imagine se Hitchcock fosse produzir uma sequência para seu “Psicose”, onde Norman Bates ficasse tropeçando no vestido quando fosse correr atrás das vítimas e levasse tortas na cara durante toda a película.

O filme tem seus pontos positivos é claro, é sempre bom poder ver Dennis Hooper em ação, apesar de seu personagem, Tenente Lefty, ser ridículo e estereotipado. E a maquiagem é Tom Savini, o que também pode ser considerado um defeito, visto que tudo aquilo que era sugerido no primeiro filme, fora mostrado sem dó neste segundo. Há também algumas homenagens ao clássico de 1974, como a cena em que o vovô Sawyer tenta abater a protagonista com uma marreta, mas aqui é tudo tão mal realizado que chega a dar vontade de ativar o fast foward do DVD.



Hooper destruiu seu clássico, e depois de “O massacre da serra elétrica parte 2”, dirigiu pouquíssimos filmes para o cinema. Mas este não fora o fim da série, em 1990 uma terceira parte seria lançada, e uma quarta sequência viria em 1994, ambas sem a direção de Tobe Hooper. O pobre e inocente Leatherface não teria como imaginar o quanto sofreria nas mãos de péssimos cineastas, mas novamente, isso é assunto para a próxima postagem.

Algumas dúvidas que ficam ao final de “O massacre da serra elétrica parte 2”.

Alerta de spoilers: Só leia os próximos parágrafos se já tiver assistido ao filme.

1- Por que diabos a VJ não podia simplesmente desligar o telefone na cara da dupla de imbecis, por que era necessário esperar eles desligarem?
2- Por que Buzz simplesmente não freou ou tentou alguma manobra quando a camionete começou a acompanhar seu carro?
3- Por que Rick parou de atirar quando a “carcaça humana” que cobria Leatherface caiu após o primeiro tiro?
4- Por que o tenente Lefty não usou a fita do homicídio para provar seu ponto? Por que usar Stretch e LG como iscas sem lhes dar a devida proteção? Por que não chamou reforços para invadir a casa dos canibais? Por que? Por que? Por que?
5- Por falar na casa dos canibais; Como eles se mudaram da modesta casa do primeiro filme para aquela verdadeira fortaleza subterrânea? Há lâmpadas para todo lado da fortaleza, de onde eles tiram dinheiro para pagar as contas de luz?
6- Ganhar concursos de Chilli? Esse é todo o propósito de matar seres humanos? Usar a carne para ganhar concursos de Chilli?
7- Por que o tenente não usa armas de fogo ao invés de serras elétricas para enfrentar os canibais? Não seria mais fácil? Não foi para isso que ele fora treinado?
8- E depois de entrar na fortaleza, pra que ficar destruindo tudo ao invés de ir direto até os assassinos que eram o foco de sua vingança?
9- O que é aquela cena em que Leatherface faz uma mascara com o rosto de LG, coloca no rosto de Stretch, coloca um chapéu de cowboy na cabeça da moça e começa a dançar com ela?
10- Chop Top Sawyer era para ser o caroneiro do primeiro filme? Eu gosto de pensar que não.
11- Eu poderia escrever mais 100 tópicos sobre as bizarrices do filme, mas será mesmo necessário?

Titulo Original: The Texas Chain Saw Massacre 2
Ano de lançamento: 1986
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Tobe Hooper, Kim Henkel
Produção: Cannon Films
Avaliação: 2/10 (1 ponto por Tom Savini, outro por Dennis Hooper)

14 dezembro 2011

Slasherhouse #1 - O Massacre da Serra Elétrica (1974)



Freddy Krueger, Jason, Michael Myers, Pinhead e Leatherface são verdadeiras estrelas do cinema fantástico, impossível que o leitor não conheça pelo menos alguns dos nomes citados. Tais personagens são tão icônicos que levaram milhões de pessoas ao cinema para assistir a dezenas de filmes muitas vezes de qualidade duvidosa. Mas o que há de tão especial nas grandes franquias do cinema de horror que às fizeram se destacar de outros milhares de filmes lançados todos os anos?
Começa hoje uma nova coluna aqui no “A terça parte do cinema” que tem como objetivo discutir as maiores franquias da história do cinema de terror. Espero que os textos sejam úteis para os que não são iniciados no gênero, e que tenha um ar nostálgico para aqueles que cresceram vendo tais produções. O nome “Slasherhouse” é contribuição do amigo Felipe Pucinelli, que é também o responsável pela imagem que ilustra o post.

Como o leitor mais astuto já deve ter notado a primeira franquia a ser dissecada será “O massacre da serra elétrica” que começou em 1974 com o clássico homônimo de Tobe Hooper. O massacre da Serra elétrica é o primeiro filme de Hooper a ser lançado no cinema.

O filme começa com um letreiro explicando que a partir de agora o expectador acompanhará a reprodução de uma terrível tragédia real que acometeu cinco jovens que viajavam pelo Texas em agosto de 1973. Na verdade a história foi levemente, mas bem levemente mesmo inspirada em Ed Gein, o famoso serial Killer norte americano que também inspirou filmes como “Psicose” e “O silencio dos inocentes”. Apesar de destorcer a realidade, o texto inicial narrado pela voz sinistra de John Larroquette ajuda a criar um clima de suspense.

Após o letreiro explicativo, têm inicio aquela que é uma das sequencias de abertura mais famosas da história dos filmes de terror. Esta é uma das melhores cenas do filme em minha opinião, e merece mais que um parágrafo neste texto.



Os tais jovens citados no letreiro inicial são os irmãos Sally e Frank e seus amigos Jerry, Kirk e Pam. Eles estão indo até a casa de campo de Sally e Frank. No caminho têm a péssima idéia de dar carona a um homem que está próximo a um matadouro de bovinos.
O caroneiro, em meio a seus tiques e problemas de fala, corta a própria a mão e o braço de Frank, quando esse se recusa a comprar uma foto que o homem havia tirado. O lunático é expulso da van e suja a lataria do veiculo com o próprio sangue, deixando os jovens muito assustados.
Finalmente o grupo chega à tal casa abandonada. Os jovens se separam em casais deixando Frank sozinho, um casal vai fazer sexo dentro da casa, o outro vai dar uma volta pela região. Kirk e Pan são atraídos até uma casa pelo barulho de um motor enquanto andam pelas redondezas. Kirk curioso resolve entrar na casa e é abatido com uma marretada por um corpulento homem com uma mascara de pele humana no rosto. A partir de agora, um a um, os jovens serão perseguidos por Leatherface e sua família de canibais, não há em quem confiar ou a quem pedir ajuda, os jovens terão que literalmente correr para escapar do destino que parece inevitável.
O praticamente estreante Tobe Hooper definitivamente acertou a mão aqui. O clima é desconfortável do começo ao fim, e o diretor não precisa mostrar cenas sangrentas e trabalhar com o gore para criar este clima. O roteiro é rápido e pouquíssimo tempo se passa sem que nada aconteça. A sugestão é tão bem trabalhada durante toda a produção que a maioria das pessoas recorda deste filme como um festival de “sangue e tripas”.


A fotografia é escura e nada sofisticada, o que apenas ajuda a criar o clima aterrorizante, mas pode incomodar um pouco nas cenas noturnas, onde pouco ou nada se enxerga. O cenário é sensacional, o árido deserto texano apenas aumenta a sensação de sufoco e desconforto no espectador, o que novamente se perde nas cenas noturnas. Este é um dos poucos filmes onde os takes diurnos parecem mais assustadores que os noturnos.
Os vilões são o toque final da produção. Leatherface e sua família são algumas das figuras mais aterrorizantes já vistas em um filme de terror. Provavelmente nem mesmo Kim Henkel e Tobe Hooper esperassem que o assassino com a mascara de couro virasse um dos maiores vilões da história do cinema quando o criaram, mas assim se fez.
83 mil dólares, atores amadores, fotografia documental e uma mascara de couro foram os ingredientes que criaram um clássico que viraria uma franquia em 1986 com o “O massacre da serra elétrica 2” dirigido pelo próprio Hooper. Este filme novamente trazia dor e sofrimento, não às vitimas de leatherface, mas sim aos fãs do filme original, mas isso é assunto para a próxima postagem.

Titulo Original: The Texas Chain Saw Massacre
Ano de lançamento: 1974
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Tobe Hooper, Kim Henkel
Produção: Vortex
Avaliação: 7/10

Luiz Gustavo Kiesow